Reviews Bananada 2010
Nosso repórter Pietro Bottura acompanhou todos os shows, de todos os dias do Bananada 2010 (de 19 a 23 de maio). Você vê aqui a análise de cada banda, seguindo a ordem de apresentação. Uma análise geral do festival está no post anterior: http://www.fosforocultural.com.br/index.php/2010/05/27/bananada-2010-visao-geral-do-festival/
Fotos de Ana Rachel Gomide.
Quarta-feira, 19/05, Bolshoi Pub
Brown-Há (BSB)
Enérgicos e concisos, os cinco integrantes do Brown-Há fecham dentro de seu ciclo um tipo clássico de auto-sustentabilidade sonora. Talvez pela estrutura acústica do Bolshoi ou pela tranqüilidade em palco que a banda mostra, a questão é que o show é agressivo, mas tem recursos técnicos para garantir que a apresentação não se encerre em atenção visual.
As letras em português são cantadas por um vocalista sem nenhum instrumento em mãos, algo meio raro hoje em dia. Na mesma linha, a individualidade instrumental garante que o som não fique borrado por interferências entre os instrumentos. A junção dessas harmonias diferentes traz à banda um som claro, mas bem construído. É possível ver que, apesar da postura despretensiosa da banda, existe um conceito musical imbuído nas composições instrumentais além da diversão.
Também é possível – e bem fácil – ouvir com clareza o que cada um dos integrantes do Brown-Há diz, e a platéia absorveu e cantou junto os refrões melosos da banda de abertura do Bananada/10.
Mersault e a Máquina de Escrever (GO)
Com o lançamento do CD “Passagem”, o Mersault e a Máquina de Escrever chegam a um novo patamar em seu nicho musical. Ser a única banda local entre as escolhidas para a abertura do Bananada já mostra o respeito que o Mersault tem na cena alternativa goiana, e o número de expectadores que chegou ao Bolshoi para ver a banda só provou que essa escolha foi muito bem tomada.
As letras continuam sendo um ponto de atenção da banda; profundas em seu sentido, mas simples o bastante pra se entender sem precisar ir muito longe. Apesar das palavras serem “jogadas” ao invés de construídas, há uma linha que conecta o que se dizer com o que se ouve.
O casamento entre o vocal e o instrumental é um ponto forte das composições, que suam e choram ao mesmo tempo, numa sensação de ansiedade e reflexão. Sensação que tem o racional pela parte lírica e o coração pelo baixo bem pontuado com a bateria, apoiados na massa de fundo alcóolico das guitarras.
Rinoceronte (RS)
Despontando em elogios pelo país, o Rinoceronte lembra, de início, aquele som que vibra na garganta de bandas clássicas como Black Sabbath e Grand Funk Railroad. O power trio sabe exatamente como fazer para conseguir definição sem precisar de número, e em várias partes o uníssono entre guitarra e baixo gera um timbre específico, bem construído, pouco encontrado em bandas atuais.
As letras, em português, são encaixadas no instrumental ao invés de conduzirem a música, o que pode inicialmente causar um certo estranhamento. Ao se acostumar os ouvidos, entretanto, esse tipo de composição parece deixar as músicas mais fluídas e leva a atenção ao conjunto como um todo e não só às letras. É possível ver um grande potencial musical na banda em sua releitura setentista que, apesar de viver numa época de revivals da década de consolidação do rock, consegue manter originalidade nas composições e ser algo novo soando clássico. Meio que um bootleg que você gostaria de ter encontrado; um vinil antigo gravado em cd que não perdeu a qualidade.
Quinta-feira, 20/5, Capim Pub + Metrópolis
Capim Pub
Chacina (GO)
A cozinha forte e a estrutura vocal puxada para o rap lembram o Rage Against the Machine numa versão mais crua, mas a semelhança para por aí. O Chacina faz um som próprio, direto, juntando o groove e o peso de forma natural. Apesar de começar o segundo dia do Bananada, já havia um bom público no Capim Pub e o Chacina fez um ótima abertura de noite.
Fígado Killer (GO)
Gritando, nervosos, estourando os tímpanos de todo mundo. Esse é o Fígado Killer, com sua versão em português para Ace of Spades (Motorhead) e a completa ausência de momentos sentimentais nas músicas. A banda é um soco do início ao fim, sem descanso, sem gelo e pedindo a próxima. Ai meu Fígado Killer.
Desastre (GO)
Um dos clássicos da cidade, o Desastre trouxe ao Capim seu show bélico sem mostrar sinais de piedade. As luzes baixas e o som estourado fazem as letras e a estética da banda serem uma extensão da música, ilustrando perfeitamente o que se ouve e a imagem que a banda exibe no palco.
WxCxM (GO)
Provavelmente o show mais animado da noite, o WC Masculino volta aos palcos depois de algum tempo e o público vem junto. As rodas não pararam um minuto, nem pela banda nem pelos presentes. A bateria continua deixando a boca aberta, mas ficar parado não é uma opção válida. Depois de tanto suor e calor, a noite no Capim Pub acabou. Mas o Caos continuará.
Metrópolis
Trivoltz (GO)
Ao contrário do terror do Capim Pub, o Metrópolis teve em suas três bandas momentos calmos, variando entre a psicodelia e o instrumental bem feito de bandas como o Trivoltz. A banda estava bem ensaiada e o show foi tão bem feito em sua execução que, do lado de fora, parecia se tratar de um CD e não de uma banda. A escolha das letras, sobre amor e desilusão, encaixam-se perfeitamente na estética musical da banda.
Dawnfine (GO)
Com uma formação inesperada de dois teclados e um vocalista, o Dawnfine pareceu um clipe dos anos 80 invocado para o palco. Os sintetizadores dão ao grupo eletrônico um rosto conhecido, popularizado por bandas como Krafwerk e Depeche Mode. O som se encontrou facilmente no ambiente retro do Metrópolis, auxiliado pela iluminação e decoração da casa, levando o conceito da banda a um bom ponto de expressão. Com certeza, uma das bandas que mais chamou a atenção por seu som pouco convencional.
Plastique Noir (CE)
O grupo cearense foi o contrário do que se espera de uma banda vinda da terra das praias e do Sol rachante de Fortaleza. O Plastique Noir cria um ambiente gótico, depressivo, numa mistura entre o synthpop, o new wave e uma versão um pouco mais limpa do Marylin Manson. Na apresentação do Bananada o grupo tocou músicas do novo CD “Dead Pop”, elogiado pela crítica e que vem colocando a banda em outros diversos festivais de grande porte no país.
Sexta-feira, 21/05, Centro Cultural Martim Cererê
Coerência (GO)
O hardcore do Coerência não encontrou muita gente no começo do terceiro dia do festival, mas conseguiu dar um bom show para os poucos presentes – em maioria, fãs da banda com camisetas e letras decoradas. A banda, ainda nova na cidade, já começa a formar um bom público e conseguir seu lugar na cena goiana, melhorando a cada apresentação e deixando a entender que o potencial que tem vai ser bem usado. Detalhe: o show teve duração de dez minutos por problemas da produção.
Ultravespa (GO)
Influenciados pelo rock sessentista, Beatles, Cascavelletes e The Kinks, o Ultravespa representa no Bananada o clássico rock gaúcho. As letras em português casam perfeitamente com o instrumental do trio, conciso e simples por escolha. O som cru dá à banda seu maior diferencial, dispensando firulas e fazendo um som carismático, gritado e sussurrado na medida exata para não se deixar de prestar atenção num único segundo. Detalhe 2: o show teve duração de quinze minutos por problemas da produção.
Demosonic (GO)
É tanta coisa pra se prestar atenção no Demosonic que não tem como falar de tudo. A bateria em viradas constantes, as supersonics gritando e o baixo rouco fazem a gente pensar se o Sonic Youth não é goiano. O show foi agressividade do início ao fim, sem pausas, usando a microfonia como um instrumento à parte e embalando o público em sua psicodelia caótica.
Death From Above (GO)
Uma das bandas de punk mais antigas da cidade, o Death From Above seguiu a tradição de fazer um show pra ninguém botar defeito em sua mais recente formação. É hardcore sem frescura, sobre terror e guerra, de cordas estourando nos falantes e bateria convulsiva. A banda já fez diversas tours fora do país, além de trazer diversos nomes internacionais para a cidade e estar prestes a lançar um novo CD.
Sex on The Beach (PB)
O trio instrumental de surf music misturou às músicas próprias diversos covers de Dick Dale, músicas regionais brasileiras e muita pose. A equalização e o cruzamento entre os instrumentos foi feita de maneira milimétrica; as músicas foram tão bem tocadas que, se alguém errou, ninguém percebeu. A banda disse poucas palavras durante o show, mas animou a platéia em diversos momentos e chamou o público para perto do palco, batendo palmas e dançando as músicas. Apesar do baixista emprestado, o entrosamento dos integrantes pareceu vir de longa data, e a escolha do repertório não deixou a apresentação enfadonha – perigo que toda banda instrumental encontra e que o Sex on The Beach pareceu nem lembrar que existe.
Comma (SP)
O duo de pop-folk de São Paulo deu um show íntimo, pontuado entre conversas despretensiosas e uma timidez que não se imaginaria em uma banda com a popularidade do Comma. As músicas são compostas por violão e bateria, deixando o peso de lado e investindo numa postura serena de baladas românticas e canções sobre o dia-a-dia.
Nublado (PB)
A paraibana Nublado mostrou um som calcado no indie e no britpop dos anos 90, com melodias claras, remetendo a nomes como Strokes, Interpol e Oasis. O nome da banda certamente deriva da temática de fuga da banda, não do instrumental brilhante e limpo, construído para soar alto. As guitarras pontuam com bastante segurança as linhas de vocal, explodindo e sugerindo com dinâmica os pontos altos e baixos de cada música. Num momento em que a cena alternativa brasileira prima por sons como o do Nublado, é fácil fazer uma previsão de um bom lugar para a banda se a mesma continuar na vibração competente que mostrou no Bananada.
Vida Seca (GO)
Com instrumentos feitos de pedaços de sucata, a banda instrumental fez uma apresentação que fugiu do óbvio e se mostrou uma banda no mínimo exótica. Apesar da escolha improvável de instrumentos, das intervenções de músicas regionais e mediterrâneas, o grupo conseguiu clareza ao expressar sua musicalidade pouco convencional, deixando os espectadores intrigados com a apresentação da banda.
Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
Apesar do nome, a Camarones tem suas guitarras como ponto principal, mas não pára por aí. Os teclados e cozinha criam um fundo perfeito para as diversas transgressões construídas pelo duo de guitarras da banda, que compensa a ausência de um vocal com linhas que ficam na cabeça já na primeira vez em que são escutadas. A parte da Orquestra provavelmente se dá pela diversidade das composições, que, apesar de encabeçadas por timbres específicos do indie e do rock, não se prendem a nenhum tipo de música específica, fazendo a apresentação da banda pular de danças instrumentais a noise-rock, lembrando o que seria o White Stripes com uma cozinha de eletro-indie.
Nevilton (PR)
Como um dos novos nomes que são alvo de atenção na cena alternativa brasileira, o Nevilton mostrou porque seu pop-rock lhe rendeu tanta resposta dentro e fora do país. Apesar das influências estrangeiras claras, a banda parece se encaixar mais no movimento nacional do indie tranquilo, sem pressa, popularizado por bandas como o Los Hermanos. Mas, em outro caminho, as letras fogem de temas depressivos e falam de alegria, amor e da busca pela vitória na vida.
Johnny Suxxx & The Fucking Boys (GO)
Mais um show cheio de provocação, destruição e falta completa de modos. O Johnny Suxxx & The Fucking Boys encontrou o Cererê pronto para o abate e fez questão de usar o repertório do novo CD, “Zebra”, para mostrar que ainda tem muita coisa pra acontecer antes do fim do noite. Provavelmente num dos melhores shows da sexta, a performance ensandecida da banda manteve à banda o seu lugar de melhor banda glam da cidade. A última música foi “Cold Queen”, do MQN, já que “alguém tem tocar já que o MQN não vai tocar no Bananada pela primeira vez esse ano!”.
Procura-se Quem Fez Isso? (RS)
Quatro indivíduos vestidos de preto, com lanternas em chapéus de obra e um som dançante à la Franz Ferdinand. De todas as coisas que se podia esperar de uma banda com esse nome, essa era uma das últimas opções. O show foi um banho para a mente, exalando pele e obrigando o teatro cheio ao contato humano no escuro. Uma experiência que, moldada pela música ao mesmo tempo competente e nem aí da banda, completa a apresentação como um show único.
Comunidade Ninjitsu (RS)
O eletro-funk carioca debochado do grupo, esquecido no tempo e relembrado pelo hit “Meu pai é detetive” trouxe um show animado para a primeira noite no Cererê. Como um dos headliners do Bananada, a Comunidade Ninjitsu pegou um teatro lotado até as portas, e apesar da escolha ser bastante estranha para a temática do festival, parece que bastante gente gostou da apresentação do grupo.
Gloom (GO)
Com um novo CD em vista, a Gloom parece pronta para o ápice de suas composições a todo momento, e o show do Bananada serviu como um aperitivo do que vem pela frente. A cada apresentação a banda se renova musicalmente e usa seu carisma da melhor forma possível, fazendo quase impossível não prender os olhos no grupo e escutar o ska-samba que a Gloom trouxe para a cidade. Saindo do teatro abarrotada de elogios, a banda se mostrou em casa, mais do que pronta para encabeçar a noite de um festival do porte do Bananada.
Violins (GO)
Fechando a noite, o Violins fez uma apresentação intimista, sobre conflitos existenciais e sofrimento. O show teve duração de aproximadamente duas horas e contou com músicas novas, do CD “Greve das Navalhas”, lançado pela Monstro Discos. As novas composições trouxeram um material mais pesado para a apresentação, ao contrário do tipo de música com o qual a banda é geralmente associada e essa mudança de estilo teve uma boa receptividade por parte do público. Fato triste o novo CD não ter chegado a tempo para venda no festival.
Sábado, 22/05, Centro Cultural Martim Cererê
¡Oye! (GO)
Pela primeira vez no Bananada, a ¡Oye! abriu a noite de sábado com seu folk-pop influenciado por Los Hermanos e Beirut. A voz tem profundidade, naquele tom grave e meio falado que traz um toque doce pra qualquer música. O instrumental, agora com novo baixista, completa as composições em violão e é cheio, mas pouco intrincado. O som, no resultado final, é leve de se ouvir, tanto na temática quanto na sonoridade, chegando à fórmula mágica de uma música que quebra barreiras por ser bonita de se ouvir.
Space Monkeys (GO)
Uma das melhores e mais novas bandas do festival, o Space Monkeys é fortemente influenciado pelo rock dos anos 90, como Foo Fighters e QOTSA. As duas guitarras tocam a mesma coisa em poucas partes, mas não se embolam e definem bem as melodias, numa massa bem definida de peso e harmonia, apoiada pela base sólida da cozinha. Todos os integrantes parecem dominar bem seus instrumentos e a banda tem integridade como um todo. Apesar das desculpas do vocalista Edimar de estar se acostumando em tocar e cantar ao mesmo tempo, se ninguém avisasse, provavelmente se consideraria que é uma banda com 10 anos de formação e muita estrada percorrida – fato curioso pra uma banda que tem pouco mais de seis meses.
Moka (GO)
Falar que o multiinstrumentista Moka é uma figura antiga da cidade não chegaria nem perto de dizer o número de bandas pelo qual o mesmo passou e pela qualidade das mesmas. Alternando entre a bateria e o vocal, Moka fez uma apresentação inusitada, entre o funk de James Brown e o swing de Tim Maia. A big band de metais e cordas deixou o público surpreso pela sua capacidade musical, e o carisma do baterista-vocalista que dá nome à banda mostra que a segurança de palco foi conquistada com muita satisfação ao longo dos muitos anos em experiências musicais.
Necropsy Room (GO)
O Necropsy Room se estabeleceu há muito tempo em Goiânia como uma das mais renomadas bandas de Trash Metal da cidade, tocando ao lado de nomes como Sepultura, Angra, Deep Purple e (muitos) outros grandes nomes do estilo. É possível perceber a influência de grandes nomes como Slayer e Pantera no som, trabalhado ao ponto máximo e focado em técnica e profissionalismo, o que faz do Necropsy Room uma referência ao se falar do metal goiano.
Bruto (DF)
Junto com o Necropsy Room, o Bruto, de Brasília, representou o Trash Metal no Bananada 2010. Cheio de harmônicos, cavalgadas, pedais duplos e outros pontos básicos do metal, o Bruto é metal old school em português, influenciado por bandas consagradas do estilo, como Metallica. Uma mistura pouco convencional, mas que deu casou bem no caso da banda brasiliense.
Fadarobocoptubarão (MG)
O Fadarobocoptubarão é um trio instrumental de metal, crossover, stoner e hard rock. Estranho? Com certeza. Mas a qualidade do grupo é inegável e chamou a atenção dos presentes com uma paulada na cara. O lado cômico da banda ficou só na apresentação e no nome, mesmo, porque as músicas são intensas, cheias de quebradas e progressões de diferentes estilos juntas num mesmo contexto, jogando estilos próximos no liquidificador e criando uma só coisa nova. O Fadarobocoptubarão distribuiu idéias pros espectadores e interpretou tendências musicais ortodoxas como coisas que não devem ser respeitadas ao pé da letra, atitude ousada e original por parte da banda.
Vendo 147 (BA)
A idéia do Vendo 147 de bateristas-clones já é, de começo de conversa, uma coisa que faria até alguém sem curiosidade nenhuma querer ver a banda. Mais uma instrumental no Bananada, a banda, que conta com dois guitarristas, dois bateristas numa mesma bateria e um baixista conseguiu chegar na mistura improvável entre o Sonic Youth e o glam, entre o Stooges e o nu-metal. É um negócio meio difícil de se definir, mas que é rock, no sentido mais amplo da palavra. E isso, pra quem gosta, já é mais do que argumento pra dizer que a banda é ímpar no som que faz.
Motherfish (GO)
A banda goiana deu ao Bananada mais um show cheio de efeitos, letras cantadas com a platéia e uma sensação de que alguma coisa ficou faltando no fim do show. As músicas são iguais e diferentes ao mesmo tempo, entrando num processo hipnótico que acompanha o estado de transe da banda. Como sempre, a veterana Motherfish fez um show muito bem tocado e elogiado.
Some Community (SP)
A banda de São Paulo é formada só por garotas, com exceção do guitarrista Fernando Fernandes . Mas não se engane: elas tocam melhor que muito marmanjo por aí e botaram o Martim em fogo no sábado. O Some Community passeia entre o eletro e o indie, na fórmula bem conhecida do não-conseguir-não-se-mexer ao ouvir. E ao tocar. E ao passar pela porta do teatro onde elas se apresentavam. A banda é original e chama a atenção não só pelo aspecto visual (e que aspecto visual!) como também pela energia do som, sutilmente sugerido entre explosões de bateria e intervenções bem calculadas das cordas e teclados. Depois disso tudo, o show acabou com pedidos de bis sem fim, deixando uma dor na platéia que só vai ser curada com a próxima vinda da banda na cidade.
Vícios da Era (GO)
O pop funkeado do Vícios da Era é descompromissado, escolhendo a libertação ao invés da reclamação e abusando de quebradas para tornar o som dançante. A banda trouxe um grande público para o Martim Cererê e se mostrou competente na proposta de sua escolha musical, ficando à altura de grandes nomes da música pop brasileira. Bem produzido, cantado e tocado, o Vícios da Era é uma banda de boa reputação e mostrou a que veio.
Caldo de Piaba (AC)
Instrumental, funk, jazz, experimental, psicodélico, jams e um nome estranho. A combinação fez do Caldo de Piaba algo digno de se ver, prazeroso e viajante na medida de engrossar a sopa. São várias referências e releituras, fazendo o Caldo de Piaba parecer uma banda de improviso – o que, provavelmente, não deve passar muito longe do conceito da banda. Os integrantes mostraram um ótimo entrosamento, tranqüilos nas músicas e no contato com o público, provando que o Acre não só existe como exporta boa música.
Plástico Lunar (SE)
O rock old school psicodélico do Plástico Lunar supreendeu pelos teclados e pela bateria, mas a banda toda é merecedora de elogio. As melodias são cheias de guitarras e baixos marcantes, trazendo à tona nomes como Who e Pink Floyd. Os vocais desleixados exprimem perfeitamente a postura descompromissada da banda, humilde como uma banda de seu porte geralmente é.
Mechanics (GO)
Mais uma vez os Mechanics invadem o palco, gritam, quebram e balançam o lugar sem pedir licença. Mais um show recheado de músicas da qual se entende poucas palavras mas se pega o sentido da coisa perfeitamente: a idéia é perpetuar o caos. A noite de sábado estava esperando pelo Mechanics, e o Mechanics chegou, viu e venceu.
La Hell Gang (Chile)
O trio chileno falou pouco com o público, mas compensou a ausência de discurso com um som bem feito, apoiado em grandes bases do rock setentista como Grateful Dead e Led Zeppelin. As guitarras cheias de wah-wah foram muito bem elaboradas, calculadas sobre o baixo uníssono e as viradas de bateria. O La Hell Gang lembrou bastante um Jimi Hendrix Experience latino, com faixas na cabeça e botas de couro de uma época distante.
Black Drawing Chalks (GO)
Fechando a noite principal do Bananada, o BDC deu um show cheio de pose, luzes, coros, pedidos e energia. A extensão do show permitiu que fossem tocadas músicas do primeiro e segundo CDs e de músicas novas, como Red Love e Zimmer Down. Desnecessário dizer a reação da platéia à banda e o conforto com o qual se apresentaram na Martim Cererê, olhando todo mundo no olho e tocando os pedidos de música dos presentes com satisfação.
Domingo, 23/05, Ambiente Skate Shop
Dedo Sem Osso (GO)
A banda de grindcore/HC fez sua primeira apresentação no Bananada pouco antes do aquecimento do campeonato “Massacre na mini-ramp”, simultâneo ao último dia do festival. Formada por skatistas já conhecidos da Ambiente, a banda esquentou o lugar e chamou o público pros microfones, rodas de hardcore e espaço em que a banda se apresentava, acabando com a divisão de palco e dispensando frescuras. Com a música “Cão Sarnento”, tocada 3 vezes, tiveram o(s) ponto(s) alto(s) do show.
Hellbenders (GO)
O Hellbenders se apresentou mais cedo, logo ao término do campeonato que acontecia na loja. Isso quer dizer que o show estava tão lotado quanto poderia estar, e todo mundo parou pra ouvir a banda, que fez uma de suas melhores apresentações nos últimos tempos. As músicas novas, gravadas no Rocklab, mostram uma evolução gigante da banda e consolidam a mesma na cena local sem qualquer dúvida. O fim do show contou com a participação de Renato, guitarrista do BDC, na música “Hurricane”.
Waldi e Redson (GO)
A dupla caipira (?) formada por Chelo (ex-Dead Smurfs) e Diego de Moraes (da banda homônima) foi a banda mais inusitada de domingo. Com releituras de clássicos da viola e músicas próprias, a dupla fez a apresentação no estilo modão, com vocais tremidos e narrativas rurais sobre armas, gaivotas e fura olho dos brothers timbrera.
Bang Bang Babies (GO)
Chapados e nem aí pra nada como sempre, os Bang Bang Babies deram a porcentagem de sujeira e garagem que faltava pro Bananada no domingo. Seguindo a tradição que eles mesmos criaram, a banda deu um show que foi pura energia, volume e gritaria – provavelmente, o melhor show do dia.
Twin Pines (SP)
A última banda dos cinco dias de festival foi o Twin Pine(s), banda indie paulistana que agradou ao público com seu vocal-chiclete e suas melodias pop. A banda toca um hardcore californiano puxado para o emo-pop de bandas como Death Cab for Cutie e o Weezer.