Vindos do cenário árido da capital política do Brasil, quatro rapazes entediados com a atual cena musical uniram-se com o objetivo de fazer música boa, de qualidade e inovadora. O Club Silêncio traz ecos do rock inglês produzido nos anos 90 com letras sagazes em português, somadas a doses generosas de música eletrônica.
No final de 2007, lançaram seu début: “Laissez-faire”. Um tiro certeiro, que conquistou os fãs de rock moderno e a respeitada revista Rolling Stone, que cedeu espaço e elogios à banda. Seguindo a ideologia de estar sempre produzindo, eis que no ano seguinte somos brindados com o dançante “Baladas Modernas”, um retrato fiel da boêmia jovem, baseado em fatos reais vividos por seus integrantes, como na faixa “Namorado DJ”.

Em 2010, o grupo retornou aos ensaios cada vez mais incansáveis e dispostos a deixar sua marca na historia da música independente nacional. Em 2011 lançaram “Amor e Terror”, uma obra com forte influência do Krautrock e flertes com a IDM e industrial. O tempo pode passar, porém o club está longe de decretar seu silêncio. (Alexandre Bezzi, 2011)
* Alexandre Bezzi é DJ, multimídia, e já foi colunista musical dos sites Popmix, Chic , Lilian Pacce, e editor de conteúdo do FiberOnline.
Amor e Terror
Depois de dois discos lançados, o Club Silêncio apresenta em seu terceiro álbum o seu trabalho mais maduro, e provavalmente o mais acessível. Gravado entre abril e julho de 2010 no estúdio Sgt. Pepper’s e no estúdio Macaco Malvado (DF) por Gustavo Bill, Amor e Terror dá continuidade ao caminho traçado pela banda desde o primeiro album em 2007.
São oito músicas que se propõem como pequenos contos urbanos, crônicas de um cotidiano narradas com certo distanciamento. Mesmo quando não usam letras para isso, o Club Silêncio utiliza-se de samples certeiros para compor o clima analítico que permeia todo o disco.

Mas talvez o fato mais notável do Amor e Terror é como a relação entre a banda e Brasília fica evidente em cada timbre e linha melódica. Está tudo ali: a arquitetura da cidade, o clima, os bares, as pessoas. A simples dicotomia contida no título do disco expressa muito bem os extremos dessa relação.
Do começo ao fim fica claro que o Club Silêncio tem uma visão – uma visão diferente, de quem acredita que a música não necessita de constrições de gênero para contar uma história. O resultado final soa como uma mistura do ritmo madchester com o experimentalismo seco do krautrock. E nunca pareceu tão certo que a proposta deveria ser exatamente essa. Mesmo não sendo. (Cláudio Silvano)
* Cláudio Silvano é designer, ilustrador, músico, fotógrafo e responsável pelo site anorak.com.br














